Em algumas viagens que fiz, notei
que as pessoas que gostavam de viajar e ainda não conheciam a Europa sentiam
como se existisse um vazio, um buraco em seu fluxo turístico. Podiam conhecer a
Oceania ou a África, mas com a falta de visitas ao “berço do mundo ocidental”
era como se o ciclo de viagens ainda não tivesse terminado. Na verdade, eu
engrossava o coro dessa gente, e descobri que, realmente, chegar à Europa tem
um sabor especial. Não tem aquele papo de que somos submissos, porque achamos
que somos menores e tal... longe disso, até porque tenho orgulho de ver
brasileiro ganhando o mundo, viajando, conhecendo tudo sem medo, e sem nenhum “complexo
de vira-lata”. Os tempos são outros. Mas esse desejo de viagem representa, na
verdade, o reconhecimento da importância histórica e filosófica que esse
continente tem.
Bom, essa introdução foi pra
enfatizar a minha sensação nos primeiros passos na grande e fascinante Europa.
E falo disso no post sobre Lisboa porque foi essa cidade que me recepcionou e
me deu o meu primeiro sentimento de realização por estar na Europa. E o mais
interessante foi que essa emoção foi plenamente compartilhada... vou contar
porque e também como vim parar em Lisboa...
Comprei um vôo da TAP com parada
de 20 em horas em Lisboa. No início fiquei desesperada ao pensar que ficaria
essas 20 horas dentro do aeroporto. Mas, quando soube que poderia sair na
cidade, ai percebi que aquele vôo era, na verdade, um presente. Um dia em
Lisboa, e totalmente free... que delícia! Logo no avião fiz uma colega, uma
mochileira argentina, que estava dando um giro bem legal na Europa. Ela, assim
como eu, estava aqui pela primeira vez. Quando começamos a andar na cidade eu
disse a ela: “nossa, estou emocionada”, e ela: “tirou as palavras da minha
boca, eu também estou muito”.
A chegada no aeroporto de Lisboa
foi muito tranquila. Todos os funcionários são muito educados e gentis e
encontrar informações turísticas também é muito simples. Pegamos o ônibus de turismo.
Para nós era a melhor opção, pois só com ele iríamos otimizar o tempo e
conhecer a cidade de forma mais rápida e mais completa. Para pegar o ônibus
turístico, tivemos que pagar 3,50 euros (esse ônibus te dá 20% de desconto no
de turismo) pra ir até o centro e de lá pegar o turístico. Pagamos 11,00 euros
nesse, o que no final vale a pena.
O caminho começa em uma praça bem
bonita (que eu não lembro o nome rs), que parece ser tipo um ponto final dos
bondes. E de lá partimos pelas ruas, museus e pontos turísticos. Lisboa foi a
cidade mais organizada que já visitei (Isso em nível geral, pois no Brasil o primeiro
lugar vai pra Curitiba). Além de se apresentar impecável, une essa imagem com
manifestações políticas e contestações, que mostra a fuga do óbvio e da “normalidade”.
A cada poucos metros que andava me deparava com um sinal manifestativo. Uma
cidade que se movimenta e se mobiliza, mostrando que isso de forma alguma é sinônimo
de baderna ou confusão, muito pelo contrário... já foi tempo que manifestação
se assemelhava à falta de ordem.
Por essa e outras, Lisboa
mostrou-se uma cidade extremamente conservada e antenada, uma capital
metropolitana, que carrega um status provinciano, como uma grande metrópole com
a cara e o aconchego de uma cidade pequena. Acho que por isso, a palavra que me
veio para definir o pouquinho que vi de Lisboa foi aprazível, ou seja, aquele
lugar que te apraz, te causa deleite.
Depois de passar por vários
museus e pontos bonitos, a parada mais esperada (para mim) aconteceu. Cheguei à
famosa Torre de Belém, um dos
monumentos mais expressivos de lá. Sei
que antes ela era toda cercada por água e ficava como em meio ao mar, e que aos
poucos deixou de ser banhada totalmente pelo mar e hoje fica parte no mar e
parte em terra. Se já é linda assim, imagina quando parecia “flutuar”em meio às
águas.
Em frente a Torre há um complexo
de lojinhas de souvenir que vendem as tradicionas porcelanas portuguesas, tudo
feito com capricho, que cumprem o objetivo de te deixar apaixonado.
Continuando o passeio, passamos pelas
ruelas bucólicas. São bucólicas porque carregam um ar singelo e honesto. E, é
claro, os bondes dão um toque
mais que especial, é um requinte, com elegância e simplicidade. Caminhando,
chegamos ao bairro do Chiado,
um dos mais emblemáticos de Lisboa. Logo ao chegar entendi porque aquele posto
era tão importante, é um lugar que te cativa à primeira vista. Ele é completo,
pois é romântico, o que atrai os casais apaixonados e ótimo para grupos de
amigos realizarem as mais diversas discussões em torno das mesinhas dos bares.
Não é à toa que esse é o bairro que inspirava os intelectuais portugueses. Mostrando
que, de fato, é um reduto da intelectualidade, traz isso expresso através das
estátuas de Fernando Pessoa e Luis de Camões. Infelizmente não consegui ver a
de Camões, mas consegui sentar para um papo com o grande Pessoa. Esse é um
bairro que respira vida, da qual a visita é obrigatória.
Infelizmente, a noite caía e a
minha visita se findava. Mas Lisboa ficou em minha memória, com cheiro de brisa e som de chorinho.
É isso aí!
Até a próxima!
Bia Brandão


