domingo, 3 de junho de 2012

A aprazível Lisboa…

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Em algumas viagens que fiz, notei que as pessoas que gostavam de viajar e ainda não conheciam a Europa sentiam como se existisse um vazio, um buraco em seu fluxo turístico. Podiam conhecer a Oceania ou a África, mas com a falta de visitas ao “berço do mundo ocidental” era como se o ciclo de viagens ainda não tivesse terminado. Na verdade, eu engrossava o coro dessa gente, e descobri que, realmente, chegar à Europa tem um sabor especial. Não tem aquele papo de que somos submissos, porque achamos que somos menores e tal... longe disso, até porque tenho orgulho de ver brasileiro ganhando o mundo, viajando, conhecendo tudo sem medo, e sem nenhum “complexo de vira-lata”. Os tempos são outros. Mas esse desejo de viagem representa, na verdade, o reconhecimento da importância histórica e filosófica que esse continente tem.

Bom, essa introdução foi pra enfatizar a minha sensação nos primeiros passos na grande e fascinante Europa. E falo disso no post sobre Lisboa porque foi essa cidade que me recepcionou e me deu o meu primeiro sentimento de realização por estar na Europa. E o mais interessante foi que essa emoção foi plenamente compartilhada... vou contar porque e também como vim parar em Lisboa... 

Comprei um vôo da TAP com parada de 20 em horas em Lisboa. No início fiquei desesperada ao pensar que ficaria essas 20 horas dentro do aeroporto. Mas, quando soube que poderia sair na cidade, ai percebi que aquele vôo era, na verdade, um presente. Um dia em Lisboa, e totalmente free... que delícia! Logo no avião fiz uma colega, uma mochileira argentina, que estava dando um giro bem legal na Europa. Ela, assim como eu, estava aqui pela primeira vez. Quando começamos a andar na cidade eu disse a ela: “nossa, estou emocionada”, e ela: “tirou as palavras da minha boca, eu também estou muito”.

A chegada no aeroporto de Lisboa foi muito tranquila. Todos os funcionários são muito educados e gentis e encontrar informações turísticas também é muito simples. Pegamos o ônibus de turismo. Para nós era a melhor opção, pois só com ele iríamos otimizar o tempo e conhecer a cidade de forma mais rápida e mais completa. Para pegar o ônibus turístico, tivemos que pagar 3,50 euros (esse ônibus te dá 20% de desconto no de turismo) pra ir até o centro e de lá pegar o turístico. Pagamos 11,00 euros nesse, o que no final vale a pena.

O caminho começa em uma praça bem bonita (que eu não lembro o nome rs), que parece ser tipo um ponto final dos bondes. E de lá partimos pelas ruas, museus e pontos turísticos. Lisboa foi a cidade mais organizada que já visitei (Isso em nível geral, pois no Brasil o primeiro lugar vai pra Curitiba). Além de se apresentar impecável, une essa imagem com manifestações políticas e contestações, que mostra a fuga do óbvio e da “normalidade”. A cada poucos metros que andava me deparava com um sinal manifestativo. Uma cidade que se movimenta e se mobiliza, mostrando que isso de forma alguma é sinônimo de baderna ou confusão, muito pelo contrário... já foi tempo que manifestação se assemelhava à falta de ordem.






Por essa e outras, Lisboa mostrou-se uma cidade extremamente conservada e antenada, uma capital metropolitana, que carrega um status provinciano, como uma grande metrópole com a cara e o aconchego de uma cidade pequena. Acho que por isso, a palavra que me veio para definir o pouquinho que vi de Lisboa foi aprazível, ou seja, aquele lugar que te apraz, te causa deleite.





Depois de passar por vários museus e pontos bonitos, a parada mais esperada (para mim) aconteceu. Cheguei à famosa Torre de Belém, um dos monumentos mais expressivos de lá.  Sei que antes ela era toda cercada por água e ficava como em meio ao mar, e que aos poucos deixou de ser banhada totalmente pelo mar e hoje fica parte no mar e parte em terra. Se já é linda assim, imagina quando parecia “flutuar”em meio às águas.




Em frente a Torre há um complexo de lojinhas de souvenir que vendem as tradicionas porcelanas portuguesas, tudo feito com capricho, que cumprem o objetivo de te deixar apaixonado.



Continuando o passeio, passamos pelas ruelas bucólicas. São bucólicas porque carregam um ar singelo e honesto. E, é claro, os bondes dão um toque mais que especial, é um requinte, com elegância e simplicidade. Caminhando, chegamos ao bairro do Chiado, um dos mais emblemáticos de Lisboa. Logo ao chegar entendi porque aquele posto era tão importante, é um lugar que te cativa à primeira vista. Ele é completo, pois é romântico, o que atrai os casais apaixonados e ótimo para grupos de amigos realizarem as mais diversas discussões em torno das mesinhas dos bares. Não é à toa que esse é o bairro que inspirava os intelectuais portugueses. Mostrando que, de fato, é um reduto da intelectualidade, traz isso expresso através das estátuas de Fernando Pessoa e Luis de Camões. Infelizmente não consegui ver a de Camões, mas consegui sentar para um papo com o grande Pessoa. Esse é um bairro que respira vida, da qual a visita é obrigatória.




Infelizmente, a noite caía e a minha visita se findava. Mas Lisboa ficou em minha memória,  com cheiro de brisa e som de chorinho.



É isso aí!

Até a próxima!

Bia Brandão 






sábado, 2 de junho de 2012

Visconde de Mauá e Maringá (RJ e MG) – Uma surpresa intocável

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Saindo num domingo de tarde de Penedo resolvemos fechar a viagem visitando Visconde de Mauá.  Pegamos a estrada sem nenhuma grande expectativa, e para a nossa surpresa, fomos recepcionados com uma das mais lindas estradas que já vi.


Só o início do percurso, com as vistas para os relevos e sinuosidades dos morros do estado do Rio de Janeiro, já vale a pena por toda a viagem. É difícil definir o ponto mais belo, mas quando chegamos a uma das partes mais altas, pudemos ver a cidade no meio das montanhas verdes. A sensação é de estar diante de uma pintura...




Chegando em Visconde de Mauá, nos sentimos voltando no tempo, era como estar no século XIX ou naquelas novelas que retratam a década de 20, com uma praça principal e uma igrejinha. É um lugar bucólico e muito aconchegante, que te convida a reflexão e apreciação das coisas mais simples.

De lá pegamos uma estradinha de terra e em 5km estávamos em Minas Gerais. Pra mim, que sempre quis visitar Minas, foi uma maravilha =) Maringá fica na divisa do Rio e Minas. Há uma pequena pontezinha que liga as duas cidades e em dois minutos (e a pé) vc atravessa dois estados. É quase como estar em dois lugares ao mesmo tempo...



Maringá também é encantadora. É uma ruazinha recheada de pousadas fofíssimas, restaurantes e cafés que parecem de brinquedo. É uma cidade de boneca, de boneca do campo...




Como só passamos uma tarde, já programamos uma ida mais prolongada, com direito a alguns dias nas lindas cachoeiras de Maromba...

É isso aí!

Até a próxima!

Bia Brandão


terça-feira, 8 de maio de 2012

Penedo – a inspiração na forma de cidade

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Assim que cheguei em Penedo entendi porque esse é um dos destinos preferidos de quem resolve passar a lua de mel no Rio. Uma cidade pequena, romântica e acolhedora, com um complexo de restaurantes e fábricas de chocolates, que é impossível não comer com os olhos.





Por isso, vá preparado para engordar. A oferta de comidas deliciosas dá um golpe baixo em qualquer dieta e como não basta uma boa comida e um chocolatinho (antes e depois de tudo rs), Penedo também pede um bom vinho para acompanhar tantos momentos inspiradores.


E acho que ai está a chave para entender Penedo, ou a palavra certa para definir esse lugar: inspiração. A cidade te inspira a sonhar, a traçar planos e mais que isso ela te inspira a admirar, porque admiração e inspiração caminham lado a lado nessa pequena Finlândia.


Se quiser visitar essa cidadela, retire, um final de semana, porque há muitas opções de restaurantes e você vai querer conhecer todos, porque são extremamente convidativos.

O nosso roteiro foi recheado de música, romantismo e muita comida boa. Quem gosta de verdade de uma boa música, deve visitar o restaurante D.O.C. Lá tem uma banda super profissional que toca Blues, Jazz e MPB. Fomos no dia do Blues e eu que gostava, mas não conhecia tanto, saí completamente encantada com o refinamento musical desse estilo. E o cardápio e a carta de vinhos não saem devendo perto do show musical. Pra mim, esse destino é imperdível...




Outro restaurante tradicional na cidade é o alemão Casa do Fritz, que é bom pra um almoço depois de um dia de passeio. A casa oferece não só os pratos típicos alemães como os garçons vestidos a caráter. Eu acho que se você pedir, até te atendem em alemão rs.

Você também não pode voltar sem experimentar algum rodízio de fondue da região. Carnes, molhos, queijos, chocolates e frutas à vontade. Outra parada gastronômica obrigatória é o cholate quente em alguma das fábricas de chocolate. É algo muito diferente de qualquer chocolate quente que já tenha provado.

As opções de passeios também são ótimas. Pra mim, o ponto auge é o passeio de quadriciclo, no qual você fica 1h30 dirigindo por uma trilha cheia de lama e terra, com três paradas. Uma em um dos pontos mais altos de Penedo, onde se tem uma vista panorâmica da cidade e mais duas paradas em duas cachoeiras, a “Três bacias”e “Cachoeira de Deus”. Duas lindas cachoeiras, mas a segunda é a melhor pra tomar banho.












Após o passeio de quadriciclo fizemos um passeio a cavalo. Essa experiência para os principiantes é engraçada. Enquanto o cavalo anda devagarinho é uma sensação, mas quando ele corre, a sensação muda, dá vontade de rir e gritar, tudo ao mesmo tempo rs.







Outro passeio muito bom e mais tranquilo é a visita ao Museu Finlandês. Lá você encontra toda a história de Penedo, toda a tradição finlandesa, a história da Finlândia com várias curiosidades muito interessantes. O Museu é pequeno e muito aconchegante, realmente, a cara da cidade e é o tipo de lugar que te leva a ler, deu vontade de ler o museu inteiro. Saí de lá com os planos para uma rota na Finlândia, de preferência no inverno e no natal.





Fechamos Penedo pegando a estrada para Visconde de Mauá, uma das mais belas estradas que já vi. Mas isso já vale outro post.

Então, fica a dica: visitem Penedo!




 É isso ai!

Até a próxima!

Bia Brandão

quinta-feira, 29 de março de 2012

Nova Zelândia IV: Tongariro Crossing – You need to be strong!

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Sem dúvida, posso começar dizendo que a trilha de Tongariro foi a melhor e a pior experiência da minha vida. Em nenhum momento me arrependo, mas também preciso nascer de novo pra enfrentar tudo aquilo novamente.

Uma das paisagens mais fascinantes que eu pude ver, mas teve que ter sido explorada com muito afinco e persistência.

A longa jornada começa pelas 6h de viagem de Auckland até o National Park. Ao chegar, me parecia uma cidade abandonada de filmes de faroeste, pois não se via uma viva alma na rua. O vilarejo tinha apenas alguns hosteis pra receber os turistas (sedentos por aventura).



No meu conceito de viagem nunca se enquadraram as palavras aventura, caminhada e perigo, mas quem tá na chuva é pra se molhar e aquela experiência seria completamente nova pra mim.

Os primeiros 5 km são pesados, mas bem tranquilos (ainda mais se comparado ao que ainda tem pela frente). Já de início, a paisagem mostra toda a sua singularidade. Começamos pelo famoso vulcão, onde foi filmado o Senhor dos Anéis. Tudo em volta é diferente de tudo que eu já vi e dificilmente encontraria aquela beleza específica no meu país.





A beleza de Tongariro é uma beleza forte e rústica. A união dos montes e montanhas, misturando-se no marrom avermelhado faz com que apenas uma palavra te venha a mente: amazing!!!




A cada quilômetro andado ficávamos numa posição melhor para vislumbrar aquele horizonte, cada vez mais do alto.





No entanto, toda a paisagem oferecida não é de graça mesmo. Fui pensando em fazer 8 horas de caminhada, ou seja: caminhando. Mas não, o Tongariro Crossing é uma prova de resistência. Com grandes subidas e descidas, com pedras, com areia fofa, com passagens escorregadias. E não só o caminho mexe contigo, a temperatura é baixíssima (provavelmente abaixo de zero) e os ventos super fortes. Como fui sem luva, pensei que ia perder os meus dedos em alguns momentos. Em outros, o meu rosto adormecia tamanho era o frio. Essa trilha é, de fato, perigosa! Mas a recompensa vale a pena.



Se não bastasse toda aquela natureza nova, a metade da caminhada nos reserva uma das coisas mais belas que presenciei: os Lakes Emeralds – Lagos de Esmeralda. Três lagos em meio a um deserto que brincam com as cores e mostram um verde peculiar – o verde tongariro.





Mas, esses lagos não estão no fim da caminhada, como na maioria das trilhas, que reservam o melhor para o final, nesse caso, os lagos ficam na metade da trilha. Sendo assim, prepare-se para mais 4h depois vendo essa belezura.




Ao chegar no fim, tenha certeza que você terá a maior de todas as recompensas: você sobreviveu e é um vitorioso!!!



Basta saber se depois dessa eu vou estar preparada para qualquer outra caminhada, pois já peguei uma no último nível, ou se nunca mais vou querer fazer trilha nenhuma na minha vida!

É isso aí.

Até a próxima!

Bia Brandão