quarta-feira, 18 de março de 2015

Carnaval em Salinas: conhecendo várias faces do carinho de Deus

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Esse ano optamos por um Carnaval diferente, na verdade, bem diferente do que estamos acostumados. Como não somos do agito dos bloquinhos nem da Sapucaí, decidimos por fazer o que mais gostamos: estar com os amigos, porém, num destino nada convencional. Fomos pra Três Picos de Salinas ficar num abrigo para alpinistas.




O lugar é o Parque Estadual Três Picos de Salinas, que foi criado em 2002, e é o maior do estado do Rio, pegando quase todos os municípios da serra. Nós ficamos exatamente entre Friburgo e Teresópolis, no meio das duas cidades. Ele tem um dos conjuntos montanhosos mais extraordinários do país, por isso é considerado o paraíso dos escaladores.



Bom, eu não tenho nada de esportista, fui pelas boas cias e beleza do lugar. E não fiz nenhuma caminhada hehehe




Fomos em treze pessoas e, é claro, rolou aquele medo de como seria tantas pessoas diferentes, embora amigos, numa casa em um lugar onde não se tinha nada pra fazer. Mas, que bom, essas dúvidas ruíram após o primeiro minuto entrando na casa e descobrindo que o “nada” pode ser muito mais atrativo do que se pensa.  

Logo ao chegar sentimos o clima diferente que aquele lugar e aquele ar nos proporcionava. Ao botar os pés no Refúgio Canto da Pedra, local que o grande (e humilde) escalador Portella, trata com tanto zelo, sentimos a áurea de aconchego e cuidado. Não teve como, todos se sentiram abraçados ao pisar naquela casa feita de madeira de árvores, um lar acolhedor, rústico e lindo, construído pelas mãos do Portella. Dava pra sentir todo o afeto que ele deixou marcado em cada pedra colocada na construção daquela encantadora casa. E ali passamos felizes, e inesquecíveis, quatro (longos) dias.








Nesses dias comemos muito (rsrsrs) e também tentamos conhecer um pouco a região, que tem muitos atrativos, como o Sérgio que produzia cerveja artesanal, o riacho, as vaquinhas que embelezavam a paisagem, redutos onde encontrávamos produtos naturais DE VERDADE e até a coleta de lixo no trator feita por pessoas tão gentis. Isso sem falar nos moradores. Encontramos a senhora Sebastiana, que mostrou seus peixinhos, conversou sobre a vida, abriu a porta de sua casa, sem receios, oferecendo café e água da fonte e ainda nos convidou para voltar mais vezes. (detalhe: dona Sebastiana nunca veio ao Rio de Janeiro e nem sente falta disso hehehe).






E ainda tem a cereja do bolo: o rodízio de pizza feito pelo Portella, no qual comemos pizzas memoráveis e que não encontramos em nenhuma pizzaria renomada.



A viagem foi tão maravilhosa para cada um que, ao final de tudo, fizemos uma dinâmica na qual deveríamos dizer uma palavra que sintetizasse o carnaval. E olha as palavras que saíram: Sublime, Completo, Amizade, Inesquecível, Bacana, Tranquilo, Harmonia, Deslumbrante, Transcendental, Deleite, Maravilhoso, Expressão de amor.




Talvez você esteja se perguntando o porquê do título escolhido, mas já digo que essa descoberta dos carinhos de Deus se deu numa volta ao essencial.  Foi um retorno ao significado do compartilhar, do auxílio e da colaboração mútua. Um retorno à essência do que é a amizade e o pleno desfrutar da cia desse amigo, do valor do preparo de um alimento e do sentar à mesa, de como é saboroso beber uma água limpa e da fonte e um café fresquinho e quentinho. Ao valor do silêncio e da boa risada, do estar e permanecer com o outro, do jogar e brincar como se não houvesse amanhã. Um retorno à percepção do amanhecer e das estrelas ao anoitecer, dos animais e até dos insetos. Do que é deleitar-se e saborear. Foi um retorno, num profundo respirar, à vida simples, ao pouco que nos satisfaz e ao que faz a vida ter valor. E, a minha conclusão: é impossível que esse não seja um carinho, tão gentil e delicado, que parte diretamente de Deus para nós.