Esse ano optamos por um Carnaval diferente, na verdade, bem
diferente do que estamos acostumados. Como não somos do agito dos bloquinhos
nem da Sapucaí, decidimos por fazer o que mais gostamos: estar com os amigos,
porém, num destino nada convencional. Fomos pra Três Picos de Salinas ficar num
abrigo para alpinistas.
O lugar é o Parque Estadual Três Picos de Salinas, que foi
criado em 2002, e é o maior do estado do Rio, pegando quase todos os municípios
da serra. Nós ficamos exatamente entre Friburgo e Teresópolis, no meio das duas
cidades. Ele tem um dos conjuntos montanhosos mais extraordinários do país, por
isso é considerado o paraíso dos escaladores.
Bom, eu não tenho nada de esportista, fui pelas boas cias e
beleza do lugar. E não fiz nenhuma caminhada hehehe
Fomos em treze pessoas e, é claro, rolou aquele medo de como
seria tantas pessoas diferentes, embora amigos, numa casa em um lugar onde não
se tinha nada pra fazer. Mas, que bom, essas dúvidas ruíram após o primeiro
minuto entrando na casa e descobrindo que o “nada” pode ser muito mais atrativo
do que se pensa.
Logo ao chegar sentimos o clima diferente que aquele lugar e
aquele ar nos proporcionava. Ao botar os pés no Refúgio Canto da Pedra, local
que o grande (e humilde) escalador Portella, trata com tanto zelo, sentimos a
áurea de aconchego e cuidado. Não teve como, todos se sentiram abraçados ao
pisar naquela casa feita de madeira de árvores, um lar acolhedor, rústico e
lindo, construído pelas mãos do Portella. Dava pra sentir todo o afeto que ele
deixou marcado em cada pedra colocada na construção daquela encantadora casa. E
ali passamos felizes, e inesquecíveis, quatro (longos) dias.
E ainda tem a cereja do bolo: o rodízio de pizza feito pelo
Portella, no qual comemos pizzas memoráveis e que não encontramos em nenhuma
pizzaria renomada.
A viagem foi tão maravilhosa para cada um que, ao final de
tudo, fizemos uma dinâmica na qual deveríamos dizer uma palavra que
sintetizasse o carnaval. E olha as palavras que saíram: Sublime,
Completo, Amizade, Inesquecível, Bacana, Tranquilo, Harmonia, Deslumbrante,
Transcendental, Deleite, Maravilhoso, Expressão de amor.
Talvez você esteja se perguntando o porquê do título
escolhido, mas já digo que essa descoberta dos carinhos de Deus se deu numa
volta ao essencial. Foi um retorno ao
significado do compartilhar, do auxílio e da colaboração mútua. Um retorno à
essência do que é a amizade e o pleno desfrutar da cia desse amigo, do valor do
preparo de um alimento e do sentar à mesa, de como é saboroso beber uma água
limpa e da fonte e um café fresquinho e quentinho. Ao valor do silêncio e da
boa risada, do estar e permanecer com o outro, do jogar e brincar como se não
houvesse amanhã. Um retorno à percepção do amanhecer e das estrelas ao
anoitecer, dos animais e até dos insetos. Do que é deleitar-se e saborear. Foi
um retorno, num profundo respirar, à vida simples, ao pouco que nos satisfaz e
ao que faz a vida ter valor. E, a minha conclusão: é impossível que esse não
seja um carinho, tão gentil e delicado, que parte diretamente de Deus para nós.
















